Como Instalar e Configurar o Claude Code: API, LLM Local, Skills e Exemplos Práticos
Claude Code · Anthropic · Ollama · LLM Local · CLI · Skills · Hooks · MCP · Sysadmin | ✎ Duarte Spínola | 7 de Maio de 2026
O Claude Code é a ferramenta de coding agêntico da Anthropic que vive no terminal — lê o codebase completo, edita ficheiros em múltiplos locais, corre comandos shell, gere workflows Git e liga-se a ferramentas externas via MCP. Não é um chat com blocos de código: é um agente autónomo que opera directamente no teu ambiente de desenvolvimento. Em Abril de 2026, cerca de 4% dos commits públicos no GitHub — mais de 135.000 por dia — são da autoria do Claude Code.
Este guia cobre tudo: instalação, as duas formas de autenticação (API key e subscrição), como ligar o Claude Code a um LLM local via Ollama ou LM Studio (código nunca sai da máquina), as configurações iniciais que fazem diferença desde o primeiro dia, skills essenciais para sysadmins e developers, e exemplos concretos de utilização.
Neste artigo
- O que é o Claude Code — e o que o diferencia
- Instalação — pré-requisitos e instalação do CLI
- Autenticar com API Anthropic (pay-as-you-go)
- Autenticar com subscrição Claude Pro / Max
- Ligar a um LLM local com Ollama
- Ligar a um LLM local com LM Studio
- Melhores modelos locais para coding em 2026
- Configurações iniciais recomendadas
- CLAUDE.md — a memória do projecto
- Skills — workflows reutilizáveis que valem a pena ter
- Hooks — automação determinística
- MCP — ligar o Claude Code a ferramentas externas
- Exemplos práticos de utilização
- Erros comuns e como evitá-los
1. O que é o Claude Code — e o que o Diferencia
O Claude Code opera como agente autónomo no terminal — não como assistente de chat. A diferença prática é significativa:
| Ferramenta | Como opera | Ideal para |
|---|---|---|
| GitHub Copilot | Autocompletar inline dentro do editor | Completar código enquanto escreves |
| Cursor | IDE com IA integrada — edições dentro do editor | Edições de ficheiros individuais ou pequenos grupos |
| Claude Code | Agente no terminal — lê codebase, executa comandos, edita múltiplos ficheiros, gere Git | Tarefas que cruzam muitos ficheiros, requerem shell commands, ou orquestram subagentes em paralelo |
ℹ Claude Code não é só para developers
Para sysadmins, o Claude Code é uma ferramenta de automação de infra — analisa logs, gera scripts PowerShell/Bash, cria configurações, lê e edita ficheiros YAML/JSON de configuração, e executa comandos directamente. Qualquer coisa que faças num terminal pode ser delegada ao Claude Code.
2. Instalação — Pré-requisitos e Instalação do CLI
Pré-requisitos
| Requisito | Versão mínima | Nota |
|---|---|---|
| Node.js | 18+ | Recomendado Node 20 LTS. Verificar: node -v |
| Sistema Operativo | macOS 10.15+, Linux Ubuntu 20.04+ | Windows requer WSL2 — Node deve ser instalado dentro do WSL2 |
| VS Code (opcional) | 1.85+ | Para a extensão oficial Claude Code no marketplace do VS Code |
Instalar o Claude Code CLI
npm install -g @anthropic-ai/claude-code
# Verificar a instalação
claude –version
# Se tiveres erro EACCES (permissões npm), usar:
sudo npm install -g @anthropic-ai/claude-code
# OU configurar npm para instalar sem sudo:
# https://docs.npmjs.com/resolving-eacces-permissions-errors
# macOS / Linux:
curl -o- https://raw.githubusercontent.com/nvm-sh/nvm/v0.39.7/install.sh | bash
nvm install 20
nvm use 20
# Windows (WSL2) — instalar dentro do terminal WSL Ubuntu:
sudo apt update && sudo apt install -y curl
curl -o- https://raw.githubusercontent.com/nvm-sh/nvm/v0.39.7/install.sh | bash
nvm install 20
3. Autenticar com API Anthropic (Pay-as-you-go)
A API key dá acesso a todos os modelos Claude no modelo pay-as-you-go — sem subscrição. Novas contas recebem 5 USD de crédito gratuito. Uso diário típico (refactoring, debugging, análise de logs): 10–15 USD/mês com Sonnet.
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1
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Criar conta em console.anthropic.com → API Keys → Create Key |
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2
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Copiar a chave — é mostrada apenas uma vez. Guardar em local seguro. |
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3
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Definir a API key e lançar o Claude Code. Escolher uma das três opções abaixo:
Opção A — só funciona enquanto o terminal estiver aberto export ANTHROPIC_API_KEY=sk-ant-api03-…
claude Quando o terminal for fechado, a chave desaparece e é necessário repetir o processo. Opção B — configuração permanente (recomendado) # macOS (Zsh) — usar este bloco:
echo ‘export ANTHROPIC_API_KEY=sk-ant-api03-…‘ >> ~/.zshrc source ~/.zshrc claude # Linux / WSL Ubuntu (Bash) — usar este bloco: O comando Opção C — via interface gráfica do Claude Code |
export ANTHROPIC_API_KEY=sk-ant-api03-…
claude
# Opção B — variável persistente (adicionar ao ~/.zshrc ou ~/.bashrc)
echo ‘export ANTHROPIC_API_KEY=”sk-ant-api03-…”‘ >> ~/.zshrc
source ~/.zshrc
# Opção C — definir no /config do Claude Code (interactivo)
claude
# Dentro do Claude Code: /config → “Use custom API key”
| Modelo | Custo por sessão típica | Quando usar |
|---|---|---|
| claude-haiku-4-5 | ~0.05–0.10 USD | Refactoring, documentação, tarefas simples, subagentes de exploração |
| claude-sonnet-4-6 | ~0.30–0.80 USD | Driver do dia-a-dia — implementação de features, debugging, code review |
| claude-opus-4-6 | ~1.50–4.00 USD | Decisões de arquitectura, debugging complexo, análise de segurança, trabalho de longa duração |
4. Autenticar com Subscrição Claude Pro / Max
Se já tens uma subscrição Claude Pro (20 USD/mês) ou Max (100–200 USD/mês), o Claude Code está incluído — sem custos adicionais por token. A autenticação é feita via OAuth no browser.
claude
# Para ambientes sem browser (CI/CD, servidores remotos):
claude setup-token
# Gera um CLAUDE_CODE_OAUTH_TOKEN para usar em pipelines
export CLAUDE_CODE_OAUTH_TOKEN=o_token_gerado
ℹ Pro vs Max — o que muda para Claude Code
O Pro (20 USD/mês) inclui Claude Code mas com rate limits mais apertados — adequado para uso ocasional. O Max (100 USD/mês) tem limites 5× mais altos e é o padrão recomendado para uso intensivo diário. O Max 20× (200 USD/mês) destina-se a utilização muito pesada ou equipas. Para uso por API key (pay-as-you-go), o custo está tipicamente entre 10–30 USD/mês para uso diário moderado.
5. Ligar a um LLM Local com Ollama
O Claude Code é, no fundo, um cliente que fala com a API Anthropic. Não verifica que há um Claude real do outro lado. Qualquer servidor local que exponha um endpoint compatível com a API Anthropic pode ser usado como backend — incluindo o Ollama. O código nunca sai da máquina.
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1
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Instalar o Ollama em ollama.com e descarregar um modelo de coding |
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2
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Confirmar que o Ollama está a correr e a responder |
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3
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Definir as variáveis de ambiente e lançar o Claude Code |
ollama pull qwen2.5-coder:14b # recomendado (9 GB, 16 GB RAM)
# Alternativa mais leve (8 GB RAM):
ollama pull qwen2.5-coder:7b
# Passo 2 — Confirmar que o Ollama está a responder
curl http://localhost:11434/api/tags
# Passo 3 — Configurar variáveis e lançar Claude Code
# O Ollama expõe a API Anthropic no endpoint /api/
export ANTHROPIC_BASE_URL=http://localhost:11434
export ANTHROPIC_AUTH_TOKEN=ollama # valor arbitrário — Ollama não verifica
export ANTHROPIC_API_KEY=“”
# Lançar o Claude Code apontando para o modelo local
claude –model qwen2.5-coder:14b
# Para persistir, adicionar ao ~/.zshrc ou ~/.bashrc:
echo ‘export ANTHROPIC_BASE_URL=”http://localhost:11434″‘ >> ~/.zshrc
echo ‘export ANTHROPIC_AUTH_TOKEN=”ollama”‘ >> ~/.zshrc
echo ‘export ANTHROPIC_API_KEY=””‘ >> ~/.zshrc
⚠ Contexto mínimo de 32K tokens — essencial para Claude Code
O Claude Code é muito exigente em contexto — lê ficheiros inteiros e mantém histórico de operações. Configurar o Ollama com pelo menos 32.768 tokens de contexto, idealmente 65.536. Adicionar ao ~/.ollama/models/ um ficheiro Modelfile, ou definir OLLAMA_NUM_CTX=65536 como variável de ambiente antes de lançar o Ollama.
6. Ligar a um LLM Local com LM Studio
O LM Studio serve os modelos num endpoint OpenAI-compatível por defeito em http://localhost:1234. O processo é similar ao Ollama, mas via interface gráfica.
# 1. Abrir o LM Studio, carregar o modelo (ex: Gemma 4 26B A4B)
# 2. Ir a “Local Server” e clicar “Start Server”
# 3. Configurar context window para 65536 no LM Studio
# 4. Configurar as variáveis no terminal
export ANTHROPIC_BASE_URL=http://localhost:1234
export ANTHROPIC_AUTH_TOKEN=lmstudio
export ANTHROPIC_API_KEY=“”
# Lançar com o modelo exacto carregado no LM Studio
claude –model gemma-4-26b-a4b-it
7. Melhores Modelos Locais para Coding em 2026
| Modelo | Tamanho | RAM mínima | Nota |
|---|---|---|---|
| qwen2.5-coder:7b | 4.7 GB | 8 GB | Melhor modelo de coding no tier 7B. HumanEval ~76%. Boa entrada. |
| qwen2.5-coder:14b | 9 GB | 16 GB | Recomendado como driver principal. HumanEval ~85%. Sweet spot. |
| devstral-small-2 | ~15 GB | 24–32 GB | Mistral coding model. SWE-bench ~68%. Para hardware mais forte. |
| gemma-4-26b-a4b | ~16 GB | 24 GB | Google MoE — 4B activos por token. Rápido e capaz. Boa opção Mac M4. |
| qwen2.5-coder:32b | 20 GB | 32 GB | Para hardware topo de gama. Qualidade próxima de Sonnet em tarefas de código. |
8. Configurações Iniciais Recomendadas
As configurações do Claude Code vivem em dois locais: ~/.claude/settings.json (global) e .claude/settings.json na raiz do projecto (partilhado com a equipa).
settings.json — configuração de projecto recomendada
{
“model”: “claude-sonnet-4-6”, // modelo por defeito do projecto
“permissions”: {
“allow”: [
“Bash(git status)”,
“Bash(git diff *)”,
“Bash(git log *)”,
“Bash(npm run *)”,
“Bash(npm test)”,
“Bash(python -m pytest *)”
],
“deny”: [
“Bash(git push –force *)”, // bloquear force push
“Bash(rm -rf *)”, // bloquear remoções recursivas
“Bash(* production *)” // bloquear comandos com “production”
]
},
“hooks”: {
“PostToolUse”: [
{
“matcher”: “Edit|Write”,
“hooks”: [
{
“type”: “command”,
“command”: “npx prettier –write \”$CLAUDE_TOOL_INPUT_FILE_PATH\” 2>/dev/null || true”
}
]
}
]
}
}
Comandos de configuração interactiva
/config # menu principal — modelo, API key, output style
/config model # mudar o modelo activo
# Seleccionar estilo de output
# Explanatory — detalhado e passo a passo
# Concise — breve, focado em acções
# Technical — preciso, jargão técnico
# Modo plano — Claude planeia antes de executar (recomendado para tarefas grandes)
claude –plan
# Ou dentro da sessão:
/plan
# Ver permissões configuradas
/permissions
# Ver hooks configurados
/hooks
# Activar esforço alto para tarefas complexas (raciocínio adaptativo)
/effort high
9. CLAUDE.md — a Memória do Projecto
O CLAUDE.md na raiz do projecto é lido automaticamente pelo Claude Code em cada sessão — é a forma de dar contexto persistente sem repetir as mesmas instruções. Deve ser conciso: regras de ouro e comandos do projecto, não um manual.
## Projecto
API REST em FastAPI + PostgreSQL. Stack: Python 3.12, FastAPI, SQLAlchemy 2.0, Alembic, pytest.
## Comandos
– `make dev` — servidor de desenvolvimento (localhost:8000)
– `make test` — pytest com cobertura
– `make lint` — ruff + mypy
– `make migrate` — aplicar migrações Alembic
## Padrões NON-NEGOTIABLE
– Controller → Service → Repository — nunca lógica de negócio em routers
– Todas as funções async — sem código síncrono no FastAPI
– Type hints obrigatórios em todas as funções
– Testes para todas as novas funcionalidades antes de implementar
## Verificação
Após cada alteração: `make lint` e `make test`. Só fazer commit se ambos passarem.
## Regras de segurança
– Nunca fazer commit de credenciais ou .env
– Nunca alterar ficheiros de migração já aplicados
– Nunca fazer push directo para main
⚠ CLAUDE.md demasiado longo = Claude ignora metade
Um CLAUDE.md muito extenso dilui as regras importantes no ruído. Manter abaixo de 60 linhas. Se já fazes algo correctamente sem a instrução, apagá-la. Para regras específicas de contexto (ex: padrões só para o módulo de autenticação), usar .claude/rules/auth.md com paths: glob — só carrega quando trabalhas nessa área. Regras de cumprimento obrigatório a 100% devem ser Hooks, não CLAUDE.md.
10. Skills — Workflows Reutilizáveis que Valem a Pena Ter
As skills são ficheiros Markdown em .claude/skills/<nome>/SKILL.md com frontmatter YAML. O Claude Code descobre-as automaticamente e carrega apenas as relevantes para a tarefa actual — sem ocupar contexto quando não são necessárias. Cada skill é um slash-command: /nome-da-skill.
Regra prática: se escreveste as mesmas instruções ao Claude Code mais do que uma vez, deveria ter sido uma skill na primeira vez.
Skill 1 — Code Review
—
name: code-review
description: Faz code review das alterações. Usar após implementar uma feature ou antes de criar um PR.
—
Ao fazer code review, verificar sempre:
1. **Correctude** — a lógica está correcta? Há edge cases não tratados?
2. **Segurança** — há exposição de dados sensíveis, SQL injection, ou inputs não validados?
3. **Performance** — há N+1 queries, loops desnecessários, ou operações custosas?
4. **Legibilidade** — o código é claro? Os nomes são descritivos?
5. **Testes** — existe cobertura para os caminhos feliz e de erro?
Apresentar o resultado em formato:
– ✅ **Aprovado:** [o que está bem]
– ⚠️ **Sugestões:** [melhorias não críticas]
– ❌ **Problemas:** [issues que devem ser corrigidos]
Usar `git diff HEAD~1` para ver as alterações recentes se não for especificado.
Skill 2 — Criar PR / Commit
—
name: criar-pr
description: Cria um commit com mensagem Conventional Commits e prepara a descrição do PR. Usar quando estás pronto para submeter.
—
Para criar um PR:
1. Verificar que todos os testes passam: `make test`
2. Verificar que o linting passa: `make lint`
3. Criar a mensagem de commit seguindo Conventional Commits:
– `feat:` nova funcionalidade
– `fix:` correção de bug
– `refactor:` refactoring sem mudança de comportamento
– `docs:` documentação
– `test:` testes
– `chore:` manutenção
4. Gerar a descrição do PR em português com:
– O que foi feito e porquê
– Alterações de comportamento (se existirem)
– Como testar
5. Executar `git add -A && git commit -m “[mensagem]”`
6. Mostrar o comando para criar o PR com `gh pr create`
Skill 3 — Debug de Problema
—
name: debug
description: Analisa e resolve um bug ou erro. Usar quando há um erro, comportamento inesperado, ou teste a falhar.
—
Processo de debug:
1. **Reproduzir**: verificar se o erro é reprodutível. Se não, perceber as condições.
2. **Isolar**: identificar o ficheiro e a função onde ocorre o problema.
3. **Hipótese**: formular 2-3 hipóteses para a causa raiz.
4. **Verificar**: testar cada hipótese com o mínimo de código possível.
5. **Corrigir**: aplicar a correcção mais simples que resolve o problema.
6. **Testar**: confirmar que o bug está resolvido e que não há regressões.
Nunca mudar mais do que o necessário para corrigir o bug.
Adicionar um teste de regressão que falha sem a correcção.
Skill 4 — Análise de Logs (para Sysadmins)
—
name: analise-logs
description: Analisa ficheiros de log para encontrar erros, padrões e causa raiz. Usar quando há um incidente ou anomalia nos logs.
—
Ao analisar logs:
1. Identificar o tipo de log (aplicação, sistema, segurança, acesso)
2. Encontrar os erros mais recentes e mais frequentes
3. Identificar padrões temporais (quando começou, frequência)
4. Correlacionar eventos — o que aconteceu imediatamente antes do erro
5. Apresentar:
– **Resumo executivo**: o que está a falhar, em que contexto
– **Evidências**: linhas de log relevantes (não mais de 10)
– **Causa raiz provável**: hipótese mais plausível com justificação
– **Próximos passos**: 3 acções concretas para investigar ou resolver
Usar `grep`, `awk`, `tail`, `journalctl` conforme o tipo de log.
Para logs Windows, usar `Get-WinEvent` via PowerShell.
Skill 5 — Gerador de Scripts PowerShell/Bash
—
name: script-infra
description: Gera scripts de infraestrutura (PowerShell ou Bash) para automação IT. Usar quando precisas de automatizar tarefas de sysadmin.
—
Ao gerar scripts de infraestrutura:
**PowerShell:**
– Usar `[CmdletBinding(SupportsShouldProcess)]` para suporte a -WhatIf
– try/catch em cada operação com erro descritivo
– Logging em ficheiro com timestamp: `Add-Content -Path “C:\Logs\script.log”`
– Nunca hardcoded credentials — usar `Get-Credential` ou variáveis de ambiente
– Comentários em PT-PT, uma linha por bloco lógico
**Bash:**
– Sempre começar com `set -euo pipefail`
– Verificar dependências no início do script
– Mensagens de erro para stderr: `echo “Erro: …” >&2`
– Função de cleanup com `trap cleanup EXIT`
– `–dry-run` flag para testar sem executar
Apresentar o script completo com comentários, e uma secção de como testar antes de usar em produção.
11. Hooks — Automação Determinística
Os Hooks são scripts que correm automaticamente em eventos do ciclo de vida do Claude Code — não dependem da interpretação do modelo. O CLAUDE.md é seguido cerca de 80% das vezes; os hooks são 100% determinísticos. Para guardiões de segurança, formatação obrigatória e auditing, usar sempre hooks.
Eventos de hook disponíveis
| Evento | Quando dispara | Pode bloquear? |
|---|---|---|
| PreToolUse | Antes de o Claude executar qualquer tool (Bash, Edit, Write…) | Sim — exit 2 bloqueia a acção |
| PostToolUse | Após o Claude executar qualquer tool | Não bloqueia |
| UserPromptSubmit | Quando o utilizador submete uma mensagem | Sim — pode injectar contexto ou bloquear |
| SessionStart | Quando uma nova sessão começa | Não bloqueia |
| Stop / SubagentStop | Quando Claude ou subagente termina | Não bloqueia (Stop) / Sim (SubagentStop) |
Hook útil — bloquear comandos destrutivos
# .claude/hooks/block-destructive.sh
# Bloqueia comandos destrutivos antes de executar
COMMAND=$(jq -r ‘.tool_input.command’ 2>/dev/null || echo “”)
if echo “$COMMAND” | grep -qE ‘(rm -rf|DROP TABLE|truncate|format [A-Z]:)’; then
jq -n ‘{
hookSpecificOutput: {
hookEventName: “PreToolUse”,
permissionDecision: “deny”,
permissionDecisionReason: “Comando destrutivo bloqueado pelo hook de segurança”
}
}’
exit 2
fi
exit 0
Hook útil — formatar ficheiro após edição
{
“hooks”: {
“PostToolUse”: [
{
“matcher”: “Edit|Write”,
“hooks”: [
{
“type”: “command”,
“command”: “npx prettier –write \”$CLAUDE_TOOL_INPUT_FILE_PATH\” 2>/dev/null || true”
}
]
}
]
}
}
12. MCP — Ligar o Claude Code a Ferramentas Externas
O Model Context Protocol (MCP) conecta o Claude Code a ferramentas externas e serviços via JSON-RPC — bases de dados, APIs, sistemas de monitorização, gestores de issues. É o “tudo o resto” que não é built-in.
claude mcp add
# Exemplos de MCPs úteis para sysadmins/developers:
# GitHub — ler issues, PRs, criar comentários
claude mcp add github
# PostgreSQL — consultar a base de dados directamente
claude mcp add postgres
# Playwright — browser automation para testes E2E
claude mcp add playwright
# Brave Search ou Tavily — pesquisa web
claude mcp add tavily
# Ver MCPs instalados
claude mcp list
# Ver o marketplace de plugins (inclui MCPs pré-configurados)
/plugin
ℹ Começar com um MCP — não com dez
Cada MCP carrega os seus schemas de tools no contexto. Com muitos MCPs instalados, o contexto disponível para o código diminui. Começar com o MCP mais útil para o teu workflow (tipicamente GitHub ou a base de dados do projecto) e adicionar mais à medida que perceberes a necessidade.
13. Exemplos Práticos de Utilização
Para Developers
cd ~/projecto
claude
# Explorar um codebase novo
“Explica a arquitectura deste projecto — como os módulos estão organizados e qual o fluxo de um request HTTP de entrada até à resposta”
# Implementar uma nova feature
“Implementa endpoint POST /api/users/{id}/notifications que:
– Aceita lista de IDs de notificação no body
– Marca-as como lidas no PostgreSQL
– Segue o padrão Controller-Service-Repository do projecto
– Inclui testes pytest”
# Debugging com o contexto completo
“O endpoint GET /api/reports está a devolver 500 em produção. Aqui está o traceback: [colar traceback]. Investiga a causa raiz e corrige.”
# Refactoring de um módulo
“Refactora o módulo auth.py para usar a nova classe UserRepository em vez de acesso directo à sessão SQLAlchemy. Manter todos os testes a passar.”
# Análise de dependências antes de actualizar
“Verifica o package.json e identifica dependências desactualizadas com vulnerabilidades conhecidas. Propõe um plano de actualização seguro.”
Para Sysadmins
cd /var/log
claude
“Analisa o nginx/error.log das últimas 2 horas e resume os erros mais frequentes, a sua causa provável, e sugere correcções”
# Gerar script de automação
“Cria um script Bash que:
– Verifica espaço em disco em /var e /home
– Se acima de 80%, envia alerta por email
– Remove logs com mais de 30 dias em /var/log/app/
– Corre como cron job diário às 2h
– Inclui logging e modo –dry-run”
# Auditar configurações de segurança
“Lê o /etc/ssh/sshd_config e o /etc/nginx/nginx.conf e identifica configurações inseguras ou não alinhadas com as melhores práticas de 2026”
# Criar documentação de infra
“Lê os ficheiros docker-compose.yml e .env.example e gera documentação Markdown explicando a arquitectura do serviço, os serviços dependentes e como fazer o deploy”
# Script PowerShell para M365
“Cria um script PowerShell que usa o módulo Microsoft.Graph para listar os utilizadores sem MFA activo no tenant. Output em CSV com UPN, DisplayName e data de criação.”
14. Erros Comuns e Como Evitá-los
| Erro | Causa | Correcção |
|---|---|---|
| CLAUDE.md demasiado longo, regras ignoradas | Too much context → regras perdem-se no ruído | Manter <60 linhas. Mover contexto específico para skills e .claude/rules/ com globs |
| Exploração infinita — Claude lê centenas de ficheiros | Pedido de “investigar” sem escopo | Delimitar sempre o scope: “apenas em src/auth/, não sair deste directório” |
| Contexto auto-compactado → qualidade cai | Sessão demasiado longa sem reset | Usar /compact manualmente antes de auto-compactar. Para investigações longas, usar subagentes |
| Sem verificação — código aceite sem testar | Confiar na plausibilidade visual do output | Sempre pedir ao Claude para correr os testes após implementar. Se não há testes, pedir para criar |
| LLM local com contexto insuficiente | Ollama com contexto padrão (4K) para Claude Code | Definir OLLAMA_NUM_CTX=65536 — contexto mínimo de 32K para uso com Claude Code |
| Microgerir a implementação | Especificar linha a linha como fazer | Descrever o objectivo e os critérios de aceitação — deixar o Claude decidir o “como” |
✓ O padrão que maximiza resultados: Research → Plan → Execute → Review → Ship
Para tarefas complexas: primeiro pedir ao Claude para investigar e reportar (subagente separado para não poluir o contexto principal), depois planejar com /plan, executar em modo focado, fazer review com a skill de code review, e só então commitar. Este ciclo evita a maioria dos problemas de qualidade.
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