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Duarte Spínola · 25 de Junho de 2026

OPNsense 2026: Firewall, NAT, VPN e IDS — Guia Prático para PME

O OPNsense é uma firewall open-source baseada em FreeBSD e pf (packet filter), com uma interface web moderna, suporte nativo para WireGuard, e funcionalidades empresariais como Suricata IDS/IPS, CARP para alta disponibilidade e multi-WAN com failover automático. Ao contrário de firewalls comerciais (FortiGate, Palo Alto, Check Point), o OPNsense não tem custos de licenciamento — é gratuito, community-supported, e pode ser instalado em hardware x86 standard ou em VM. Para PME portuguesas que precisam de uma firewall robusta sem subscrições, o OPNsense é uma das opções mais populares. Este guia cobre as configurações principais: firewall rules e aliases, NAT, VPN (IPsec, WireGuard, OpenVPN), Suricata IDS/IPS, traffic shaping, multi-WAN, CARP HA e CLI troubleshooting. As fontes oficiais estão referenciadas inline, baseadas na documentação oficial em docs.opnsense.org.

Neste artigo

  1. Entender a Arquitectura do OPNsense
  2. Pré-requisitos e Conceitos Essenciais
  3. Passo 1 — Interfaces e Firewall Rules com Aliases
  4. Passo 2 — Configurar NAT (Outbound e Port Forward)
  5. Passo 3 — VPN IPsec Site-to-Site
  6. Passo 4 — VPN WireGuard para Teletrabalho
  7. Passo 5 — OpenVPN SSL para Acesso Remoto
  8. Passo 6 — Activar Suricata IDS/IPS
  9. Passo 7 — Multi-WAN com Failover e Load Balancing
  10. Passo 8 — Traffic Shaping e QoS
  11. Passo 9 — Alta Disponibilidade com CARP
  12. CLI Troubleshooting (pfctl, ifconfig, configd)
  13. Erros Comuns de Configuração
  14. Checklist Rápido de Verificação

1. Entender a Arquitectura do OPNsense

O OPNsense é um fork do pfSense (2014), baseado em FreeBSD e no packet filter pf — o motor de firewall que processe e filtra pacotes ao nível do kernel. A arquitectura é simples: uma só appliance gere interfaces de rede, firewall rules, NAT, VPN, DNS, DHCP e IDS/IPS. Não há separação entre management e gateway como no Check Point — toda a configuração é feita via interface web ou CLI (docs.opnsense.org).

Componentes principais:

Componente Função
pf (packet filter) Motor de firewall no kernel FreeBSD — processa regras, NAT e QoS
Interfaces Físicas (NIC) ou lógicas (VLAN, GRE, WireGuard, OpenVPN, CARP)
Aliases Objectos nomeados (IPs, redes, portas, URLs dinâmicas) reutilizáveis em regras
Gateways Next-hop routers — cada WAN é um gateway; grupos para failover/load balancing
Unbound DNS Resolver DNS local com filtering e DNS-over-TLS
Suricata IDS/IPS — inspeção de tráfego com signatures actualizadas
CARP Common Address Redundancy Protocol — HA entre duas OPNsenses

Atenção

O OPNsense usa FreeBSD, não Linux. Comandos como ip, iptables, ss não existem — os equivalentes são ifconfig, pfctl, sockstat. Adaptar a mentalidade de troubleshooting ao usar FreeBSD.

2. Pré-requisitos e Conceitos Essenciais

Interfaces — O OPNsense atribui interfaces lógicas (LAN, WAN, OPT1, OPT2…) a interfaces físicas (igb0, igb1, vmx0…). Cada interface tem um IP e subnet. VLANs podem ser criadas sobre interfaces físicas (ex.: igb0.10 = VLAN 10).

Aliases — Objectos nomeados que representam um ou mais IPs, redes, portas ou domínios. Em vez de escrever IPs directamente nas regras, criam-se aliases (ex.: Corp_LAN = 192.168.1.0/24) e usam-se nas regras. Isto torna a configuração legível e fácil de manter (OPNsense — Aliases).

Gateways e Gateway Groups — Cada interface WAN tem um gateway (next-hop router). Para multi-WAN, criam-se gateway groups que permitem failover ou load balancing entre múltiplas ligações internet (OPNsense — Gateways).

VIPs (Virtual IPs) — Endereços IP adicionais atribuídos a interfaces. Usados para: (1) CARP — IP virtual partilhado entre duas OPNsenses; (2) NAT — IP público para port forwarding; (3) Proxy ARP — responder por um IP que pertence a outro dispositivo (OPNsense — VIPs).

Apply/Reload — No OPNsense, a maioria das alterações na interface web faz reload automático das regras pf. Não há um botão “commit” separado como no Palo Alto ou Check Point.

3. Passo 1 — Interfaces e Firewall Rules com Aliases

A configuração de interfaces é o primeiro passo. Por defeito, o OPNsense vem com LAN (192.168.1.1/24) e WAN (DHCP). Para adicionar uma interface DMZ:

  1. Navegar para Interfaces > Assignments
  2. Atribuir a interface física (ex.: igb2) a OPT1
  3. Navegar para Interfaces > OPT1:
  • Enable: ON
  • IPv4 Configuration Type: Static IPv4
  • IPv4 Address: 192.168.10.1/24
  1. Clicar Save e Apply Changes

Criar aliases para as redes:

  1. Navegar para Firewall > Aliases
  2. Criar aliases:
Nome Tipo Conteúdo
Corp_LAN Network 192.168.1.0/24
DMZ_Net Network 192.168.10.0/24
Web_Server Host 192.168.10.100
VPN_Subnet Network 10.10.50.0/24
HTTP_Services Port 80, 443
  1. Clicar Save (OPNsense — Firewall)

Criar regra outbound (LAN → WAN):

  1. Navegar para Firewall > Rules > LAN
  2. Adicionar regra:
  • Action: Pass
  • Interface: LAN
  • Protocol: Any (ou TCP/UDP)
  • Source: Corp_LAN (alias)
  • Destination: any
  • Gateway: Default (ou gateway group se multi-WAN)
  1. Clicar Save e Apply Changes

A última regra na lista é implícita — o OPNsense bloqueia tudo o que não foi explicitamente permitido (default deny).

Atenção

As regras no OPNsense são avaliadas de cima para baixo, primeira correspondência ganha. Colocar regras de deny específicas acima de regras de pass mais amplas. A regra default é implícita (não aparece na lista) — não é necessário criar uma regra “deny all” no fim.

4. Passo 2 — Configurar NAT (Outbound e Port Forward)

O OPNsense tem dois tipos de NAT: Outbound NAT (tradução de origem — clientes internos a aceder à internet) e Port Forward (tradução de destino — acesso externo a servidores internos) (OPNsense — NAT).

Outbound NAT (automático):

Por defeito, o OPNsense faz outbound NAT automático — todos os IPs internos são traduzidos para o IP da interface WAN. Não é necessário configurar nada para acesso básico à internet. Para personalizar:

  1. Navegar para Firewall > NAT > Outbound
  2. Mudar de Automatic para Hybrid Outbound NAT (permite regras manuais + automático)
  3. Adicionar regra customizada se necessário (ex.: usar um IP específico para um servidor)

Port Forward (ex.: servidor web interno acessível pela internet):

  1. Navegar para Firewall > NAT > Port Forward
  2. Adicionar regra:
  • Interface: WAN
  • Protocol: TCP
  • Source: any
  • Destination: WAN address
  • Destination Port Range: HTTP (80)
  • Redirect IP: 192.168.10.100 (servidor DMZ)
  • Redirect Port: 80
  • Check “Add associated filter rule”: ON (cria automaticamente a regra de firewall correspondente)
  1. Clicar Save e Apply Changes

Nota: Ao activar Add associated filter rule, o OPNsense cria automaticamente a regra de firewall que permite o tráfego encaminhado. Sem isto, seria necessário criar a regra manualmente em Firewall > Rules > WAN.

1:1 NAT (Static NAT — servidor com IP público dedicado):

Para mapear um IP público inteiro para um servidor interno (todas as portas):

  1. Criar uma VIP do tipo Proxy ARP ou Single Address para o IP público (Firewall > Virtual IPs)
  2. Navegar para Firewall > NAT > 1:1
  3. Adicionar regra:
  • Interface: WAN
  • External Subnet: 203.0.113.20/32 (IP público)
  • Internal Subnet: 192.168.10.100/32 (IP interno)
  1. Criar a regra de firewall correspondente em Firewall > Rules > WAN com destination = 192.168.10.100

5. Passo 3 — VPN IPsec Site-to-Site

A VPN IPsec site-to-site liga dois sites através de um túnel encriptado. O OPNsense suporta IKEv1 e IKEv2 (OPNsense — VPN).

Configuração no Site A (OPNsense A):

  1. Navegar para VPN > IPsec > Phase 1:
  • Key Exchange version: IKEv2
  • Internet Protocol: IPv4
  • Interface: WAN
  • Remote Gateway: 203.0.113.50 (IP público do Site B)
  • Pre-Shared Key: uma string aleatória de 32+ caracteres
  • Encryption Algorithm: AES-256-CBC
  • Hash Algorithm: SHA-256
  • DH Group: 14 (2048-bit) ou 20 (NIST P-384)
  • Lifetime: 28800 (8 horas)
  1. Navegar para VPN > IPsec > Phase 2 (adicionar nova Phase 2):
  • Mode: Tunnel
  • Local Network: 192.168.1.0/24 (subnet do Site A)
  • Remote Network: 192.168.2.0/24 (subnet do Site B)
  • Protocol: ESP
  • Encryption Algorithm: AES-256-CBC
  • Hash Algorithm: SHA-256
  • PFS (Perfect Forward Secrecy): ON, DH Group 14
  • Lifetime: 3600 (1 hora)
  1. Criar regras de firewall para tráfego VPN:
  • Navegar para Firewall > Rules > IPsec
  • Regra 1: Source 192.168.1.0/24 → Destination 192.168.2.0/24 → Pass
  • Regra 2: Source 192.168.2.0/24 → Destination 192.168.1.0/24 → Pass
  1. Activar a fase: em VPN > IPsec > Connections, clicar no botão de activar a ligação.

Configuração no Site B (espelhada):

Phase 1 idêntica (PSK, IKEv2, AES-256, SHA-256, DH 14). Phase 2 espelhada: Local Network = 192.168.2.0/24, Remote Network = 192.168.1.0/24.

Atenção

Se ambos os sites usam a mesma subnet (ex.: 192.168.1.0/24), o túnel IPsec não funciona. É necessário usar Binat (tradução de subnets) ou mudar a subnet de um dos sites. Verificar também que a porta UDP 500 e 4500 estão abertas no ISP/roteador a montante.

6. Passo 4 — VPN WireGuard para Teletrabalho

O OPNsense tem suporte nativo para WireGuard — uma VPN moderna, rápida e simples de configurar. É ideal para teletrabalho onde os utilizadores ligam individualmente à firewall (OPNsense — WireGuard).

Configuração do servidor WireGuard no OPNsense:

  1. Navegar para VPN > WireGuard > Servers:
  • Name: WG-Teletrabalho
  • Public Key: gerado automaticamente
  • Listen Port: 51820
  • Tunnel Address: 10.10.50.1/24 (subnet VPN)
  • Peers: adicionar cada utilizador com a sua chave pública e IP atribuído (ex.: 10.10.50.10/32)
  1. Para cada utilizador, gerar um par de chaves WireGuard:
# No computador do utilizador (Linux/macOS/Windows)
wg genkey | tee privatekey | wg pubkey > publickey

A chave pública vai para a configuração do servidor (campo Peers); a chave privada fica no cliente.

  1. Criar regra de firewall para tráfego WireGuard:
  • Navegar para Firewall > Rules > WireGuard (interface criada automaticamente)
  • Regra: Source VPN_Subnet (10.10.50.0/24) → Destination Corp_LAN (192.168.1.0/24) → Pass
  1. Abrir a porta UDP 51820 na WAN (Firewall > Rules > WAN):
  • Source: any
  • Destination: WAN address
  • Destination Port: 51820 UDP
  • Action: Pass

Configuração do cliente (utilizador remoto):

O utilizador configura o cliente WireGuard (wg-quick, app oficial WireGuard para Windows/macOS/iOS/Android) com:

[Interface]
PrivateKey =
Address = 10.10.50.10/24
DNS = 192.168.1.1

[Peer]
PublicKey =
Endpoint = vpn.empresa.pt:51820
AllowedIPs = 192.168.1.0/24
PersistentKeepalive = 25

O campo AllowedIPs define o split tunnel — apenas o tráfego para 192.168.1.0/24 vai pelo túnel; o resto vai directamente pela internet do utilizador.

Nota: O WireGuard não tem autenticação de utilizador — a autenticação é baseada nas chaves criptográficas. Cada peer tem um par de chaves, e a chave pública tem de estar registada no servidor. Para revogar acesso, remover a chave pública da lista de peers. Para maior segurança, usar WireGuard com PSK (pre-shared key adicional por peer).

7. Passo 5 — OpenVPN SSL para Acesso Remoto

Para ambientes que precisam de VPN SSL tradicional (com autenticação de utilizador, suporte para certificados, compatibilidade com clientes empresariais), o OpenVPN é a alternativa ao WireGuard (OPNsense — OpenVPN).

Configuração do servidor OpenVPN:

  1. Navegar para VPN > OpenVPN > Wizards:
  • Type: Server
  • Protocol: UDP on IPv4
  • Interface: WAN
  • Local Port: 1194
  • Certificate Authority: criar ou seleccionar CA existente
  • Server Certificate: criar certificado para o servidor
  • Tunnel Network: 10.10.60.0/24 (subnet VPN)
  • Remote Network: 192.168.1.0/24 (rede interna)
  • DNS Default Domain: empresa.local
  • Authentication: Local Database ou LDAP/AD
  1. Criar utilizadores VPN em System > Access > Users:
  • Adicionar utilizador com password e certificado (se usar autenticação por certificado)
  1. Criar regras de firewall:
  • Firewall > Rules > WAN: permitir UDP 1194 de any para WAN address
  • Firewall > Rules > OpenVPN: permitir tráfego de 10.10.60.0/24 para 192.168.1.0/24
  1. Descarregar a configuração do cliente em VPN > OpenVPN > Client Export — o OPNsense gera ficheiros .ovpn prontos a importar no cliente OpenVPN.

8. Passo 6 — Activar Suricata IDS/IPS

O Suricata é um motor IDS/IPS que inspeciona tráfego em tempo real, detectando e prevenindo ataques conhecidos. O OPNsense tem Suricata integrado como plugin (OPNsense — IPS).

Configuração:

  1. Navegar para Services > Intrusion Detection > Administration
  2. Activar Enabled
  3. Em Interfaces, seleccionar as interfaces a inspecionar (WAN e LAN)
  4. Em Rules, descarregar e activar os rulesets:
  • ET Open (Emerging Threats Open) — gratuito, actualizado diariamente
  • ET Pro (requer subscrição) — mais completo
  • Snort Community Rules — alternativo gratuito
  1. Configurar o modo:
  • IDS Mode (Alert): apenas gera alertas, não bloqueia tráfego — recomendado para começar
  • IPS Mode (Drop): bloqueia tráfego malicioso — activar após 1-2 semanas em IDS para identificar falsos positivos
  1. Clicar Save e Apply

Alertas e logs:

  1. Navigar para Services > Intrusion Detection > Alerts para ver alertas em tempo real
  2. Configurar notificações por email em System > Settings > Notifications se necessário

Atenção

Activar Suricata em modo IPS pode degradar performance em hardware modesto. Monitorizar o uso de CPU e memória após activar. Se a firewall não tiver hardware suficiente, considerar IDS Mode (apenas alertas) em vez de IPS Mode (bloqueio activo).

9. Passo 7 — Multi-WAN com Failover e Load Balancing

Para PME com duas ligações internet (ex.: fibra + 4G/5G), o OPNsense suporta multi-WAN com failover automático e/ou load balancing (OPNsense — Multi-WAN).

Configuração:

  1. Configurar ambas as interfaces WAN (WAN1 = fibra, WAN2 = 4G/5G ou cabo)
  2. Navegar para System > Gateways > Single:
  • Verificar que cada WAN tem um gateway configurado com o IP do next-hop
  • Activar Gateway Monitoring (ping a um IP externo para detectar falhas)
  1. Navegar para System > Gateways > Group:
  • Criar grupo WAN_Failover:
  • Tier 1: WAN1 (fibra) — prioridade mais alta
  • Tier 2: WAN2 (4G) — fallback
  • Trigger Level: Packet Loss ou Latency
  1. Nas regras de firewall (Firewall > Rules > LAN), definir o gateway do grupo em Gateway:
  • Para regras que devem usar failover, seleccionar o grupo WAN_Failover
  • Para regras que devem usar sempre uma WAN específica (ex.: VPN), seleccionar o gateway individual

Load Balancing:

Para distribuir tráfego entre duas WANs (não só failover), criar um grupo com ambas as WANs no mesmo Tier 1. O OPNsense distribui o tráfego round-robin entre os gateways do mesmo tier.

10. Passo 8 — Traffic Shaping e QoS

O OPNsense tem dois motores de traffic shaping: ALTQ (tradicional, baseado em pf) e Limiters (baseado em dummynet, mais flexível) (OPNsense — Shaping).

Configurar QoS para priorizar VoIP:

  1. Navegar para Firewall > Traffic Shaper
  2. Criar um pipe (limiter) para a WAN:
  • Name: WAN_Up
  • Bandwidth: 20 Mbps (upload real da WAN)
  1. Criar um pipe para download:
  • Name: WAN_Down
  • Bandwidth: 100 Mbps (download real)
  1. Criar queues dentro dos pipes:
  • Queue 1: VoIP — 5 Mbps garantidos, prioridade 7 (highest)
  • Queue 2: Default — resto, prioridade 3
  1. Aplicar o shaper a regras de firewall:
  • Na regra de tráfego VoIP (ex.: UDP 5060-5061 + 10000-20000), seleccionar o queue VoIP na coluna Out/In Pipe

Nota: O traffic shaping só funciona correctamente se as bandwidths dos pipes reflectirem a realidade da ligação. Se o pipe estiver configurado para 100 Mbps mas a ligação real for 50 Mbps, o QoS não consegue priorizar correctamente — o buffer da linha satura antes do shaper actuar.

11. Passo 9 — Alta Disponibilidade com CARP

O CARP (Common Address Redundancy Protocol) é o equivalente FreeBSD ao VRRP — permite que duas OPNsenses partilhem um IP virtual. Se a firewall primária cai, a secundária assume em segundos (OPNsense — CARP, How-to CARP).

Configuração:

  1. Em ambas as OPNsenses, configurar System > High Availability:
  • Synchronize Configurations to Peer: ON
  • Synchronize Peer IP: IP da firewall peer (ex.: 192.168.255.2)
  • Synchronize via Interface: LAN (ou interface dedicada de sync)
  • Remote Root Username/Password: credenciais do peer
  1. Criar VIPs do tipo CARP para cada interface:
  • WAN: VIP CARP com IP público virtual (ex.: 203.0.113.10)
  • LAN: VIP CARP com IP interno virtual (ex.: 192.168.1.1 — o IP que os clientes usam como gateway)
  • Advertisement Skew: 0 no primário, 100 no secundário (define quem é master)
  1. Activar pfsync (sincronização de state table entre firewalls):
  • System > High Availability > pfsync Synchronize States: ON
  • Interface: interface dedicada de sync (recomendado) ou LAN
  1. Sincronizar regras, aliases e configurações via XMLRPC:
  • O OPNsense sincroniza automaticamente a configuração para o peer quando se faz alterações

Atenção

O CARP requer que ambas as firewalls tenham interfaces na mesma broadcast domain (Layer 2). Se as WANs estão em switches diferentes sem bridging, o CARP não funciona na WAN — considerar usar um router a montante que suporte VRRP. Para o pfsync, usar uma interface dedicada (ex.: um cabo directo entre as duas firewalls) — não usar a interface de gestão.

12. CLI Troubleshooting (pfctl, ifconfig, configd)

O OPNsense corre em FreeBSD, pelo que os comandos de troubleshooting são diferentes de Linux. Os comandos mais úteis em expert mode (ou SSH):

pfctl — inspecionar regras pf e NAT:

# Ver todas as regras pf carregadas
pfctl -sr

# Ver regras NAT
pfctl -sn

# Ver tabela de estados (conexoes activas)
pfctl -ss

# Resumo de estados
pfctl -s info

# Ver tabelas (aliases carregados no pf)
pfctl -t Corp_LAN -T show

# Ver limiters/queues de QoS
pfctl -sq

# Flush de estados (cuidado: derruba todas as conexoes)
pfctl -F all

ifconfig — estado das interfaces:

# Todas as interfaces
ifconfig

# Interface especifica
ifconfig igb1

# Interfaces CARP
ifconfig carp0

# Levantar/derrubar interface
ifconfig igb1 up
ifconfig igb1 down

configd — backend do OPNsense:

# Reiniciar configd (backend de configuracao)
configdctl restart

# Executar acao do configd
configdctl template reload OPNsense

Logs do sistema:

# Logs do firewall em tempo real
tail -f /var/log/filter/latest.log

# Logs do OpenVPN
tail -f /var/log/openvpn/latest.log

# Logs do IPsec
tail -f /var/log/ipsec/latest.log

# Logs do Suricata
tail -f /var/log/suricata/latest.log

# Logs do sistema (messages)
tail -f /var/log/system/latest.log

Diagnósticos de rede:

# Tabela de routing
netstat -rn

# ARP table
arp -an

# Conexoes activas (sockets)
sockstat -4

# Testar DNS
dig @192.168.1.1 kbase.pt

# Ping para um gateway externo
ping 8.8.8.8

# Traceroute
traceroute 8.8.8.8

💡 Nota

O fluxo de troubleshooting recomendado é: (1) pfctl -sr para ver as regras activas; (2) pfctl -ss para ver se a conexão aparece na state table; (3) tail -f /var/log/filter/latest.log para ver se o tráfego está a ser bloqueado; (4) netstat -rn para confirmar que o routing está correcto; (5) ifconfig para verificar estado das interfaces e CARP.

13. Erros Comuns de Configuração

Problema Causa Solução
Sem internet após configurar WAN Gateway errado ou ISP bloqueia ping de monitoring Verificar System > Gateways que o gateway IP está correcto. Desactivar gateway monitoring temporariamente
VPN IPsec não estabelece Mismatch de IKE parameters entre os dois peers Garantir que Phase 1 e Phase 2 são idênticos. Verificar portas UDP 500/4500 abertas
Port forward não funciona Falta regra de firewall na interface WAN Marcar Add associated filter rule ao criar o port forward, ou criar regra manual em Firewall > Rules > WAN
WireGuard liga mas não acede à LAN Falta regra na interface WireGuard Criar regra Pass em Firewall > Rules > WireGuard: Source VPN_Subnet → Destination Corp_LAN
CARP não faz failover Interfaces CARP em broadcast domains diferentes ou skew errado Garantir que ambas as firewalls estão no mesmo L2. Verificar advertisement skew: 0 no master, 100 no backup
Multi-WAN não faz failover Gateway monitoring desactivado ou IP de monitoring inatingível Activar gateway monitoring. Usar um IP fiável (ex.: 8.8.8.8) como monitoring target
QoS não prioriza VoIP Bandwidth dos pipes errada (superior à real) Definir bandwidth dos pipes = bandwidth real da ligação. Se a linha satura antes do shaper, QoS não funciona
Suricata bloqueia tráfego legítimo Falsos positivos em modo IPS Mudar para IDS Mode (apenas alertas). Analisar alertas e suprimir rules problemáticas. Depois voltar a IPS
DNS não resolve nomes internos Unbound não configurado para DNS local Configurar Host Overrides em Services > Unbound DNS > Overrides para nomes internos
OpenVPN não conecta Certificado inválido ou porta 1194 bloqueada Verificar certificado CA e servidor. Verificar porta UDP 1194 aberta na WAN e no ISP

14. Checklist Rápido de Verificação

  • [ ] Configurar interfaces WAN, LAN e DMZ com IPs correctos
  • [ ] Criar aliases para todas as redes e servidores (Corp_LAN, DMZ_Net, Web_Server)
  • [ ] Verificar que outbound NAT está activo (automático ou hybrid)
  • [ ] Criar regra Pass em LAN para tráfego outbound com gateway correcto
  • [ ] Verificar default deny implícito (não é necessário criar regra deny all)
  • [ ] Criar port forwards para serviços publicados com Add associated filter rule
  • [ ] Configurar VPN IPsec com IKEv2, AES-256, SHA-256, PFS DH Group 14+
  • [ ] Configurar WireGuard para teletrabalho (chaves por peer, split tunnel)
  • [ ] Abrir porta UDP 51820 (WireGuard) na WAN
  • [ ] Configurar OpenVPN com certificados se for necessário SSL VPN tradicional
  • [ ] Activar Suricata em IDS Mode primeiro, migrar para IPS após 1-2 semanas
  • [ ] Configurar multi-WAN com gateway groups para failover
  • [ ] Activar gateway monitoring (ping a IP externo) para detectar falhas
  • [ ] Configurar traffic shaping com bandwidths reais da ligação
  • [ ] Priorizar VoIP com queue dedicado (5 Mbps garantidos)
  • [ ] Configurar CARP VIPs para WAN e LAN se houver duas OPNsenses
  • [ ] Activar pfsync em interface dedicada para sincronização de estados
  • [ ] Activar XMLRPC sync para sincronizar configuração entre firewalls
  • [ ] Configurar Unbound DNS com Host Overrides para nomes internos
  • [ ] Verificar com pfctl -sr e pfctl -ss que as regras e estados estão correctos

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