Contratos, facturas, dados de clientes e dados de saúde saem da empresa por email, muitas vezes para Gmail, Yahoo ou contas de clientes que não usam o Microsoft 365. O OME (Office 365 Message Encryption, hoje Microsoft Purview Message Encryption) encripta essas mensagens no Exchange Online a partir de uma regra de transporte: quem envia continua no Outlook normal, o serviço da Microsoft encripta no envio, e o destinatário lê no Outlook ou num portal sem instalar nada.
Seguem os passos: licenças, a activação no Exchange Online PowerShell, a regra de New-TransportRule com disparo por palavras-chave e padrões (regra de transporte) e por etiquetas de sensibilidade (via DLP), a experiência do destinatário externo (portal com código de acesso único ou leitura directa) e a revogação de mensagens já entregues, com o quadro RGPD e NIS2 que sustenta a decisão de encriptar.
TL;DR — o essencial:
O Azure Rights Management activo é o único requisito técnico (verifica com Get-IRMConfiguration e valida com Test-IRMConfiguration). A regra de transporte dispara no lado do remetente com -FromScope InOrganization e aplica um dos dois modos: Encrypt (apenas encriptação) ou Do Not Forward (bloqueia reencaminhamento). Destinatários Microsoft 365 leem directamente no Outlook — os restantes usam o portal com código de acesso único ou conta Google/Yahoo/Microsoft. A revogação exige Advanced Message Encryption e o destinatário a receber a experiência por link — a via garantida é o template com a marca na regra, e o Encrypt-Only enviado directamente do Outlook on the web também se revoga — o que ficou inline no Outlook não se revoga.
Neste artigo
- 1. O que é o OME e como funciona
- 2. Licenças e métodos de protecção
- 3. Activar o OME no Exchange Online
- 4. Regra de transporte por palavras-chave
- 5. Disparo por padrões, tipo e sensibilidade
- 6. A experiência do destinatário externo
- 7. Revogar e acompanhar mensagens encriptadas
- 8. O ângulo RGPD e NIS2 para empresas pequenas
- Erros Comuns
- Checklist
- Artigos Relacionados
- Fontes Oficiais
1. O que é o OME e como funciona
O serviço actual chama-se Microsoft Purview Message Encryption e funciona sobre o serviço Azure Rights Management — a mesma tecnologia que protege documentos do Purview Information Protection. O acrónimo OME (Office 365 Message Encryption) fica da geração anterior, descontinuada em 1 de Julho de 2023 numa substituição automática: o serviço migrou sozinho, mas as regras de transporte antigas precisam de acção manual para usarem a experiência nova.
O princípio simplifica a vida de quem envia: quando uma mensagem cumpre as condições de uma regra de fluxo de correio (transport rule), o Exchange Online encripta-a antes do envio — sem certificados, sem troca de chaves, sem mudanças no Outlook do remetente. O destinatário fora da organização precisa de qualquer subscrição — lê num cliente Outlook recente ou num portal web com um código de acesso único.
💡 OME legado vs actual — a versão antiga entregava um ficheiro HTML em anexo que o destinatário abria manualmente no browser. A actual entrega a experiência directa nos clientes Outlook e um portal sem download para todo o resto. Regras que continuem a apontar para a versão antiga produzem mensagens com o formato antigo, pelo que a migração das regras é parte da activação.
A diferença para as outras tecnologias de email no Microsoft 365: o S/MIME exige certificados de ambos os lados e faz sentido entre organizações que publicam chaves públicas — o IRM aplica restrições a destinatários internos — o OME cobre o envio para fora com qualquer endereço de destino, incluindo anexos compatíveis (Office, PDF quando a encriptação de PDF está ligada). As três coexistem, mas o mesmo email não deve levar mais do que uma.
2. Licenças e métodos de protecção
A licença conta por utilizador que se beneficia da encriptação: cada remetente cujas mensagens o OME encripta precisa do plano certo. As assinaturas que incluem o Microsoft Purview Message Encryption sem custo adicional são as Enterprise E3 e E5, as Microsoft 365 E3 e E5, o Business Premium, e as variantes de Educação (A1, A3, A5) e Governo (G3, G5). Nos planos menores, o complemento é o Azure Information Protection Plano 1 por cima do Exchange Online Plano 1 ou Plano 2, do Office 365 E1 ou F3, ou do Business Basic e Business Standard.
| Plano | OME básico | Advanced Message Encryption |
|---|---|---|
| Microsoft 365 / Office 365 E3 | Incluído | Não — requer add-on |
| Microsoft 365 / Office 365 E5 | Incluído no plano | Incluído (E5 e A5) |
| Microsoft 365 Business Premium | Incluído | Não — requer add-on |
| Office 365 A1, A3, A5, G3, G5 | Incluído | A5: incluído — A1/A3/G3: add-on |
| Office 365 E1, F3, Business Basic e Standard | Com AIP Plano 1 | Não — add-on |
| Exchange Online Plano 1 ou Plano 2 | Com AIP Plano 1 | Não — add-on |
O nível Advanced Message Encryption acrescenta três capacidades que as empresas pequenas normalmente desejam: revogar uma mensagem encriptada depois do envio, definir expiração para o acesso no portal e criar vários modelos com a marca da empresa. Inclui no E5 e no A5 (e na G5), e nos planos E3 entra como add-on de compliance — o Business Premium e os A3/G3 ficam de fora: a service description do Exchange lista o Advanced Message Encryption apenas no E5/A5/G5 ou no add-on de compliance do E3.
Quanto aos modos aplicáveis na regra de transporte, existem dois modos de protecção e uma customização que os acompanha:
| Método | O que faz | Quando usar |
|---|---|---|
| Encrypt (encrypt-only) | Encripta a mensagem e os anexos compatíveis. O destinatário pode reencaminhar e copiar livremente. | Confidencialidade no transporte — facturas, orçamentos, dados de contacto |
| Do Not Forward | Encripta e impede reencaminhamento, cópia e impressão pelo destinatário em clientes Outlook. | Dados sensíveis que não podem circular — relatórios com dados pessoais |
| Template com marca | Customização, não um terceiro modo: o mail de notificação leva o link do portal (experiência link-based) com a marca — abre revogação e expiração. | Mensagens que precisam de controlo depois do envio |
⚠ Atenção: o modo Do Not Forward impede o reencaminhamento no cliente Outlook, mas o destinatário que lê no portal web pode copiar o conteúdo ao ecrã. O OME não é um DLP completo — para restrições de impressão e cópia fiáveis em browser, a protecção passa por modelos com marca e pelas políticas DLP da secção 5.
3. Activar o OME no Exchange Online
O requisito único do OME é o serviço Azure Rights Management activo no inquilino. Na maioria dos planos elegíveis o serviço activa-se automaticamente — a Microsoft 365 liga a encriptação sozinha. Vale sempre a pena confirmar o estado antes de criar regras, porque sem o serviço de direito activo a regra não tem os templates de protecção para aplicar.
Abre uma sessão de PowerShell com o Exchange Online (conta com papel de Compliance Administrator chega e evita o Administrador Global):
Connect-ExchangeOnline -UserPrincipalName admin@empresa.pt
O parâmetro que activa o OME a nível de inquilino é o AzureRMSLicensingEnabled da configuração IRM. Verifica-o:
Get-IRMConfiguration | Select-Object AzureRMSLicensingEnabled
AzureRMSLicensingEnabled : True
Verdadeiro significa que o Exchange Online já licencia mensagens com o Azure RMS — o OME está pronto. Em Falso, activa com Set-IRMConfiguration -AzureRMSLicensingEnabled $true e repete a verificação.
O teste de ponta-a-ponta simula encriptação e desencriptação com dois endereços reais do inquilino:
Test-IRMConfiguration -Sender marisa@empresa.pt -Recipient marisa@empresa.pt
Results : Acquiring RMS Templates ...
- PASS: RMS Templates acquired. Templates available: Empresa - Confidential View Only,
Empresa - Confidential, Do Not Forward.
Verifying encryption ...
- PASS: Encryption verified successfully.
Verifying decryption ...
- PASS: Decryption verified successfully.
Verifying IRM is enabled ...
- PASS: IRM verified successfully.
OVERALL RESULT: PASS
O teste valida uma cadeia completa: recolha dos modelos RMS, encriptação, desencriptação e o serviço IRM em si — o que interessa é a sequência de PASS e o OVERALL RESULT: PASS final.
Quando o teste falha com a mensagem Failed to acquire RMS templates, o Exchange Online não está a apontar ao ponto de licenciamento correcto. O fix corre no módulo AIPService e passa ao Exchange o endereço de licenciamento:
Connect-AipService
$RMSConfig = Get-AipServiceConfiguration
$LicenseUri = $RMSConfig.LicensingIntranetDistributionPointUrl
Set-IRMConfiguration -LicensingLocation $LicenseUri
Set-IRMConfiguration -InternalLicensingEnabled $true
Depois do fix, o Test-IRMConfiguration volta a correr e deve terminar em PASS. Em ambientes híbridos, os utilizadores on-premises enviam email encriptado desde que o fluxo passe pelo Exchange Online — as regras vivem no serviço em nuvem.
⚠ Atenção: inquilinos com AD RMS (Active Directory Rights Management) próprio não activam o OME directamente — o serviço actual não é compatível com AD RMS. A migrar para o Azure Rights Management acontece primeiro, e só depois o OME fica disponível.
4. Regra de transporte por palavras-chave
Com o serviço activo, a peça central do OME é a regra de fluxo de correio — transport rule. A regra identifica as mensagens no momento do envio e aplica a encriptação — como o disparo corre no lado do remetente, é o servidor que trabalha, não o utilizador. No Exchange admin center o caminho é Mail flow > Rules > Create a new rule, com a condição The sender is located > Inside the organization e a acção Modify the message security > Apply Office 365 Message Encryption and rights protection.
Em PowerShell a equivalência directa usa o New-TransportRule. O exemplo seguinte encripta toda a saída da empresa para destinatários externos quando o assunto ou o corpo contém uma das palavras que a organização definir:
New-TransportRule -Name "Encriptar externo por palavras-chave" -FromScope InOrganization -SentToScope NotInOrganization -SubjectOrBodyContainsWords "factura","orçamento","número de cliente" -ApplyRightsProtectionTemplate "Encrypt"
Cada parâmetro decide uma parte do disparo e da acção:
-FromScope InOrganization— restringe a regra a mensagens enviadas de dentro da organização. Sem esta condição a regra pode tratar correio de entrada, que o OME não encripta.-SentToScope NotInOrganization— limita o disparo a destinatários fora do inquilino: Gmail, Yahoo, contas de outros domínios. Correio interno não leva encriptação forçada.-SubjectOrBodyContainsWords— a lista de palavras-chave que dispara a regra. Procura em assunto e corpo, com correspondência exacta das palavras — a lista separa-se por vírgulas.-ApplyRightsProtectionTemplate— a acção: Encrypt aplica o modo apenas encriptação, Do Not Forward aplica restrição de reencaminhamento.
A variante que força o portal para todo o correio externo — a base para poder revogar mensagens depois do envio — acrescenta o template com a marca da organização. O nome do modelo é o mesmo que aparece na configuração de marca do OME. Atenção com o casamento a Do Not Forward nas mesmas regras: DNF a todo o correio externo é agressivo — quem recebia normalmente e respondia fica com as mãos atadas — e é por isso que este disparo se usa por regras específicas de conteúdo, não como regra única do domínio:
New-TransportRule -Name "Encriptar correio externo - portal" -FromScope InOrganization -SentToScope NotInOrganization -ApplyRightsProtectionTemplate "Do Not Forward" -ApplyRightsProtectionCustomizationTemplate "OME Configuration"
Com o modelo de marca na regra, os destinatários externos recebem sempre o email de notificação com o endereço do portal — e a organização fica com o controlo de revogação e expiração da secção 7.
O movimento inverso serve as respostas: um destinatário externo responde à mensagem encriptada e a resposta chega protegida, obrigando os colegas internos ao portal. A regra seguinte remove essa protecção das entradas de fora:
New-TransportRule -Name "Descartar encriptação em respostas externas" -FromScope NotInOrganization -SubjectOrBodyContainsWords "RE:" -RemoveOMEv2 $true -RemoveRMSAttachmentEncryption $true
O parâmetro -RemoveOMEv2 é a acção que o EAC chama de Remove Office 365 Message Encryption and rights protection applied by the organization, e o -RemoveRMSAttachmentEncryption cobre os anexos protegidos de modo a que a resposta chegue totalmente limpa. Ambos referem-se à protecção aplicada pela própria organização — nenhum dos dois toca em mensagens que vierem encriptadas de outra empresa com os seus modelos.
💡 Correio de entrada nunca encripta — o Exchange Online não encripta ao receber mensagens de fora. Se uma regra dispara sobre correio de entrada, o serviço entrega-a sem encriptar. A protecção por regra só se aplica ao fluxo que a organização envia.
5. Disparo por padrões, tipo e sensibilidade
Para além das palavras exactas, o disparo aceita padrões com regular expressions, domínios inteiros e o tipo de mensagem. A tabela cruza o nome da condição no EAC com o parâmetro correspondente no PowerShell:
| Disparo | Condição no EAC | Parâmetro New-TransportRule |
|---|---|---|
| Palavras-chave em assunto e corpo | The subject or body includes any of these words | -SubjectOrBodyContainsWords |
| Padrões (regex) em assunto e corpo | The subject or body matches these text patterns | -SubjectOrBodyMatchesPatterns |
| Palavras-chave no assunto | The subject includes any of these words | -SubjectContainsWords |
| Nome do anexo com padrão | Any attachment name matches these patterns | -AttachmentNameMatchesPatterns |
| Domínio do destinatário | The recipient domain is | -RecipientDomainIs |
| Localização do remetente/destinatário | The sender is located / The recipient is external/internal | -FromScope / -SentToScope |
O padrão mais útil para dados de clientes é o -SubjectOrBodyMatchesPatterns — por exemplo, um padrão de número fiscal ou de matrícula no corpo dispara a encriptação à margem de palavras concretas:
New-TransportRule -Name "Encriptar padrão de NIF no corpo" -FromScope InOrganization -SentToScope NotInOrganization -SubjectOrBodyMatchesPatterns "\d{9}" -ApplyRightsProtectionTemplate "Encrypt"
⚠ Atenção: padrões demasiado largos encriptam o dia-a-dia inteiro — nove dígitos apanham telefones e códigos postais em sequência. Começa por listas de palavras-chave bem delimitadas e estreita a regra de padrões só com padrões únicos ao tipo de documento em causa.
A sensibilidade segue outro caminho — as regras de transporte não têm uma condição de etiqueta de sensibilidade. O disparo por sensibilidade corre nas políticas DLP do Purview: a condição Content contains > Sensitivity labels selecciona as mensagens (ou os seus anexos) que levam a etiqueta, e a acção Restrict access or encrypt the content in Microsoft 365 locations > Encrypt Email Messages aplica a encriptação do OME. A etiqueta marca o conteúdo à partida (manualmente ou por auto-aplicação), e a política DLP completa a encriptação no envio.
Resta um caso em que as regras de transporte não entram: convites de reunião e respostas. O OME por regra não toca nesse tipo de mensagem — a protecção de convites passa por etiquetas de sensibilidade com encriptação.
6. A experiência do destinatário externo
O que o destinatário vê depende do tipo de conta dele e do cliente que usa — é a distinção entre a leitura directa (pass-through) e o portal com autenticação própria:
| Perfil do destinatário | Experiência |
|---|---|
| Conta Microsoft 365 a ler num Outlook suportado (Windows, Mac, web, iOS, Android) | Leitura directa sem passo extra — a mensagem abre desencriptada no cliente |
| Conta Microsoft (outlook.com) em cliente Outlook suportado | Leitura directa também inline |
| Gmail, Yahoo, Outlook.com web ou outros clientes sem suporte | Email de notificação com link para o portal encriptado — inicia sessão com conta Google, Yahoo ou Microsoft, ou usa um código de acesso único |
| Modelo com marca aplicado pela regra | Sempre o portal, mesmo para quem poderia ler inline — dá à organização revogação, expiração e registos do portal |
No portal, o fluxo do código de acesso único corre assim: o destinatário abre a mensagem de notificação, escolhe Use a one-time pass code, recebe um código temporário por email e insere-o para ler a mensagem e responder encriptado. Sem subscrição Microsoft 365, sem criar conta, a sessão corre no browser.
⚠ Atenção: o email com o código de acesso único não passa sempre à primeira — os filtros anti-spam do destinatário e a quarentena do serviço de destino costumam apanhar os primeiros. Configurações DKIM e DMARC do lado do destinatário ajudam — em fluxos críticos (dados de saúde, documentação jurídica), o convite à organização cliente é acrescentar o domínio de origem às listas fiáveis.
Do lado do inquilino, três parâmetros controlam a experiência do portal. O primeiro liga ou desliga o código de acesso único — desligado, só resta a autenticação por conta (Google, Yahoo, Microsoft):
Set-OMEConfiguration -Identity "OME Configuration" -OTPEnabled $false
O segundo limita as contas sociais no portal — útil quando a política de acesso exige contas controladas e o email institucional do destinatário é conhecido:
Set-OMEConfiguration -Identity "OME Configuration" -SocialIdSignIn $false
O terceiro decide o que acontece aos anexos no modo apenas encriptação (encrypt-only): em verdadeiro, o browser descarga os anexos já desencriptados — a experiência que os clientes externos esperam, à custa de menos restrição:
Set-IRMConfiguration -DecryptAttachmentForEncryptOnly $true
O acesso ao portal dura enquanto a organização remetente existir e a mensagem não tiver expiração activa — não há prazo fixo no portal e o contador só nasce de uma expiração configurada. A protecção corre da mensagem para os anexos não encriptados de tipos suportados (documentos Office, PDF com a encriptação de PDF ligada no IRM). A app Mail do iOS não decifra por si — os anexos protegidos não abrem nela por omissão. O administrador pode mandar o serviço desencriptar antes de entregar: Set-ActiveSyncOrganizationSettings -AllowRMSSupportForUnenlightenedApps $true — decisão que pesa entregar conteúdo sensível a uma app fora do controlo do Purview.
7. Revogar e acompanhar mensagens encriptadas
A revogação corta o acesso à mensagem no portal depois do envio — o destinatário externo passa a ver o aviso The message is revoked by the sender em vez do conteúdo. É a resposta a um envio por engano (factura com dados do cliente errado, orçamento com margens confidenciais) e precisa de duas peças: Advanced Message Encryption activo, e o destinatário a receber a experiência por link — a via garantida é o modelo com marca aplicado por regra, e as mensagens Encrypt-Only encriptadas directamente no Outlook on the web também são revogáveis — o inline do Outlook fica fora da revogação.
O acompanhamento segue o caminho padrão do Exchange Online: o Message trace segue cada mensagem desde a recepção até à entrega final. Entra no admin center em admin.exchange.microsoft.com/#/messagetrace, abre Start a trace, filtra por remetente/destinatário e janela temporal (a vista imediata cobre até 10 dias de cada vez — janelas maiores saem como ficheiro), abre os detalhes da mensagem e copia o Message ID.
Com o Message ID em mãos, o primeiro passo confirma se a mensagem pode ser revogada:
Get-OMEMessageStatus -MessageId "<messageId>" | ft -a Subject,IsRevocable
Em IsRevocable: True, a revogação executa-se de imediato:
Set-OMEMessageRevocation -Revoke $true -MessageId "<messageId>"
A confirmação volta ao mesmo cmdlet de consulta — a coluna Revoked passa a True:
Get-OMEMessageStatus -MessageId "<messageId>" | ft -a Subject,Revoked
Revoked: True
A alternativa do próprio remetente corre no Outlook on the web: na pasta Sent, a mensagem revogável mostra o link Remove external access no topo — um clique revoga sem PowerShell. No portal Purview, o relatório de encriptação de mensagens (Encryption report) lista as mensagens com estado de revocação e a acção Revoke message.
💡 O que conta para revogar — o critério é o destinatário receber a experiência por link. A nota da documentação é explícita: para garantir o rastreio e a revogação disponíveis, o template de marca deve estar em jogo — e as mensagens Encrypt-Only encriptadas directamente no Outlook on the web entram na mesma lista. O inline do Outlook (contas M365/conta Microsoft) é que fica de fora. Por isso a garantia de revogação e de registos do portal começa na regra de transporte da secção 4 e nas configurações de marca do OME.
Os registos de actividade do portal (Advanced Message Encryption) mostram quem abriu a mensagem no portal e quando — só os acessos ao portal — a leitura inline pelos clientes Outlook fica nos registos de auditoria de caixa de correio.
8. O ângulo RGPD e NIS2 para empresas pequenas
Para uma empresa pequena a pergunta prática é simples: porque encriptar email se o TLS já corre no transporte do correio? O TLS protege a ligação entre servidores — o OME protege a mensagem própria, mesmo em repouso na caixa do destinatário ou reencaminhada para fora.
💡 O que a lei pede — o artigo 32.º do RGPD lista a encriptação de dados pessoais entre as medidas técnicas adequadas que o responsável pelo tratamento considera, pesando o estado do conhecimento, os custos e a natureza dos dados. A NIS2 (Diretiva (UE) 2022/2555) pede às entidades dos sectores abrangidos medidas de gestão de risco que incluem políticas sobre soluções criptográficas quando apropriado, mais a notificação de incidentes em 24 e 72 horas.
No RGPD, toda a empresa que trate dados pessoais entra no âmbito. A encriptação das mensagens externas actua na redução do risco de violação: uma caixa partilhada que envia listas de clientes é o cenário em que o artigo 32.º pede controlo suplementar. Em caso de violação, a mensagem com acesso depende da identidade do destinatário sustenta a avaliação de que a notificação ao titular pode não ser exigida — avaliação sempre caso a caso, e nunca um passe para ignorar o dever de notificar.
Na NIS2 o âmbito é mais restrito — entidades essenciais e importantes dos sectores listados na diretiva (energia, transportes, saúde, água, infra-estruturas digitais, entre outros) — mas a empresa pequena que fornece serviços a essas entidades tem de cumprir as mesmas famílias de medidas. A criptografia nas comunicações externas é um item directo: a regra de transporte cobre-a sem depender do funcionário lembrar-se de encriptar.
A vantagem concreta: o OME chega incluído nos planos E3 e Business Premium que a maioria das empresas pequenas tem, configura-se numa sessão de PowerShell da secção 3 em vez de uma PKI de certificados S/MIME, e a regra por palavras-chave evita a decisão manual em cada email.
| Requisito | Como o OME cobre |
|---|---|
| RGPD art. 32.º — encriptação de dados pessoais | Encriptação da mensagem e dos anexos compatíveis até ao destinatário autenticado, com disparo automático por regra |
| RGPD — minimizar o risco após violação | Acesso dependente de identidade (portal/conta) e revogação da mensagem exposta com Advanced ME |
| NIS2 art. 21.º — políticas criptográficas | Política escrita curta + regra de transporte activa = solução criptográfica em produção para correio externo |
| NIS2 — gestão de risco documentada | Registos do portal (Advanced ME) e Message trace documentam o fluxo das mensagens protegidas |
Uma limitação a gerir com as equipas: a revogação e os registos do portal estão no nível Advanced Message Encryption. Sem essa licença, o OME continua a encriptar (RGPD cumprido no envio), mas o controlo depois do envio é zero — as empresas com mensagens sensíveis reincidentes agendam o add-on de Advanced Message Encryption em vez de descobrir a limitação numa crise.
Erros Comuns
- Test-IRMConfiguration devolve Failed to acquire RMS templates — o Exchange não aponta ao serviço de licenciamento certo. Aplica o fix da secção 3 com o módulo
AIPServicee volta a testar. - Destinatários continuam a receber anexo HTML — a regra ainda aponta para o OME legado. Troca a acção da regra por Apply Office 365 Message Encryption and rights protection (ou recria com
New-TransportRule). - A lista de templates aparece vazia no EAC — o Azure RMS não está activo. Confirma o
AzureRMSLicensingEnablede a licença do remetente. - A regra não encripta nada — falta o
-FromScope InOrganization(regras sem âmbito do remetente caem sobre correio de entrada, que não encripta), ou o disparo por palavras não coincide com o assunto/corpo real. - O código de acesso nunca chega ao destinatário — o email do pass code ficou no spam ou na quarentena (DKIM/DMARC do lado do destinatário). Confirma a quarentena do destinatário e adiciona o domínio remetente às listas fiáveis em fluxos críticos.
- A revogação devolve erro ou não se aplica — a mensagem correu inline no Outlook do destinatário, ou a organização não tem Advanced Message Encryption, ou a mensagem não levou o modelo com marca. Confirma com
Get-OMEMessageStatuse as condições da secção 7. - Anexos Office antigos (.doc, .xls, .ppt) não herdam a protecção — os formatos 97-2003 não se suportam na encriptação de anexos. Grava em formatos modernos (.docx, .xlsx, .pptx) antes de enviar.
Checklist
- Licenças dos remetentes confirmadas (E3/E5/Business Premium ou AIP Plano 1)
Test-IRMConfigurationtermina em OVERALL RESULT: PASS- Regra de transporte criada com
-FromScope InOrganization+-SentToScope NotInOrganization - Modo escolhido (Encrypt ou Do Not Forward) e, para revogação, o modelo com marca aplicado na regra
- Desencriptação de respostas externas avaliada (evita o portal para os colegas internos)
- Teste real com uma mensagem de cada perfil de destinatário (M365, Gmail, Outlook.com)
- Advanced Message Encryption ativa quando se quer revogar/expirar mensagens
- Política curta RGPD/NIS2 com o disparo por palavras-chave documentado e divulgado às equipas
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- Unified Audit Log: Auditoria M365 com Search-UnifiedAuditLog
Fontes Oficiais
- Set up Microsoft Purview Message Encryption — passos de activação e o teste no PowerShell
- Message Encryption FAQ — licenças por plano e as limitações por cliente
- Email encryption in Microsoft 365 — a comparação OME, S/MIME e IRM
- Define mail flow rules to encrypt email messages — as regras no EAC passo a passo
- Manage Purview Message Encryption — código de acesso único, IDs sociais e o modelo que força o portal
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