FSRM: Quotas e Filtragem de Ficheiros no Windows Server
Neste artigo
O File Server Resource Manager (FSRM) vem incluído no Windows Server sem custo adicional e resolve dois problemas clássicos do file server da PME: utilizadores que enchem discos partilhados e ficheiros que não deviam estar lá (multimédia, executáveis, e num mau dia, ransomware). A definição oficial: “File Server Resource Manager (FSRM) is a role service in Windows Server that enables you to manage and classify data stored on file servers.” Aplica-se ao Windows Server 2025, 2022, 2019 e 2016.
O Que o FSRM Faz
Cinco funcionalidades, na terminologia oficial:
- Quota management — limitar o espaço por volume ou pasta, com templates aplicáveis a novas pastas
- File screening — controlar que tipos de ficheiros os utilizadores podem guardar nas partilhas
- Storage reports — relatórios de uso de disco, duplicados, ficheiros grandes, e tentativas de gravar ficheiros bloqueados
- File Classification Infrastructure — classificar ficheiros automaticamente por conteúdo/propriedades e accionar tarefas
- File Management Tasks — acções condicionais sobre ficheiros classificados (expirar, encriptar, comando custom)
Nota oficial importante: FSRM só suporta volumes NTFS. ReFS não é suportado.
Instalação
FSRM é um role service da role File Server:
Install-WindowsFeature FS-Resource-Manager -IncludeManagementTools
Verificação:
Get-WindowsFeature FS-Resource-Manager
A gestão fica no File Server Resource Manager MMC ou por PowerShell (módulo FileServerResourceManager). As ferramentas antigas de linha de comandos (Dirquota.exe, Filescrn.exe, Storrept.exe) continuam a existir, mas os cmdlets PowerShell são o caminho moderno.
Quotas: Hard, Soft e Auto-Apply
Dois tipos de quota:
- Hard quota: bloqueia a gravação quando o limite é atingido.
- Soft quota: só avisa, não bloqueia. Útil para observar antes de apertar.
Exemplo prático da doc oficial: “Create a 200-MB quota for each user’s home directory and notify them when they’re using 180 MB.” — ou seja, threshold de notificação a 85-90% do limite.
Em PowerShell:
# Quota hard de 5 GB na pasta do utilizador, com notificações
New-FsrmQuota -Path "D:\Shares\Utilizadores\ana" -Size 5GB -Description "Home folder"
# Auto-apply: qualquer subpasta nova herda a quota do template
New-FsrmAutoQuota -Path "D:\Shares\Utilizadores" -Template "5 GB Limit"
O padrão recomendado é trabalhar sempre com templates (criar/editar em Quota Templates): alterar o template propaga a todas as quotas derivadas, em vez de editar pasta a pasta.
File Screening: Bloquear Extensões
O file screening impede (active screening) ou apenas monitoriza (passive screening) ficheiros por padrão de nome/extensão. Casos de uso clássicos:
- Bloquear multimédia em pastas de trabalho (“Disallow any music files to be stored in personal shared folders”)
- Bloquear executáveis e scripts em partilhas de dados
# File group com os padrões a bloquear
New-FsrmFileGroup -Name "Executaveis Bloqueados" -IncludePattern @("*.exe", "*.bat", "*.cmd", "*.ps1", "*.vbs", "*.js", "*.msi")
# Screen activo numa partilha
New-FsrmFileScreen -Path "D:\\Shares\\Documentos" -IncludeGroup "Executaveis Bloqueados" -Active:$true
Duas limitações honestas: o screening é por padrão de nome, não por conteúdo — um .exe renomeado para .pdf passa. E aplica-se a gravações via file server, não a protocolos alternativos. É camada de política e contenção, não antivírus.
File screen exceptions: permitem abrir buracos numa política ampla — por exemplo, bloquear vídeo em todo o servidor mas permitir na pasta do grupo de formação. A regra da doc: não se pode criar uma exception numa pasta que já tem file screen; aplica-se a subpastas.
O Papel no Cenário Ransomware
O FSRM tem fama de ferramenta anti-ransomware pela capacidade de detectar gravações em massa de extensões de cifra e reagir:
# File group com padrões de ransomware conhecidos (lista a manter)
New-FsrmFileGroup -Name "Ransomware Extensions" -IncludePattern @("*.locked", "*.crypt", "*.wcry", "*.onion")
# Screen que acciona um comando quando o padrão é detectado
# A acção cria-se primeiro (comando que isola o servidor)
$action = New-FsrmAction -Type Command -Command "C:\\scripts\\isolate.ps1" -KillTimeout 60
# O file screen usa a acção como notificação
New-FsrmFileScreen -Path "D:\\Shares" -IncludeGroup "Ransomware Extensions" -Active:$true -Notification $action
O padrão clássico: um evento de command notification que desliga a partilha SMB (Set-SmbShare -ShareName X -Available $false) ou corta a rede, contendo o dano. Duas ressalvas sérias:
- Reactividade: o FSRM reage quando os primeiros ficheiros já estão cifrados. Não substitui EDR, nem backups offline imutáveis.
- Manutenção: a lista de extensões precisa de actualização contínua, e falsos positivos (um .locked legítimo de ferramenta de encriptação de arquivo morto) podem cortar partilhas em produção. Testar em screen passivo primeiro.
Como contenção barata e adicional numa PME sem EDR no file server, é uma rede de segurança razoável. Como primeira linha, não.
Storage Reports
Os relatórios respondem às perguntas do gestor: quem está a encher o disco, que duplicados existem, que ficheiros ninguém abre há anos. A doc sugere o exemplo de um relatório agendado “every Sunday night at midnight” dos ficheiros acedidos nos últimos dois dias para planear manutenção. Os tipos principais: Large Files, Duplicate Files, Files by File Group, Most Recently Accessed, Files by Owner, Quota Usage, File Screening Audit.
Integração com o Cenário de Partilhas SMB da PME
Num file server típico da PME:
- Auto-quotas por utilizador na pasta de homes com template único — ninguém enche o volume sozinho.
- Screening activo de executáveis em partilhas de documentos — reduz superfície de propagação de malware.
- Relatório mensal de quota usage por email ao responsável de IT.
- Classification (avançado): etiquetar ficheiros com dados de clientes por conteúdo e accionar expiração ou encriptação — relevante quando o Dynamic Access Control está em jogo, mas numa PME típica fica por implementar.
O FSRM não aparece em roadmaps de deprecação e continua presente no Windows Server 2025. A alternativa paga (Nasuni, Varonis, ferramentas de quota de terceiros) só faz sentido a partir de complexidade que a maioria das PMEs não atinge.